Friday, July 20, 2007

Lareira e janela de ônibus

Deve ter alguma coisa de especial na vista da janela do ônibus. A mesma que têm no fogo de uma lareira quentinha. Algo que hipnotiza. Podes tentar olhar para outro lado, mas sempre os teus olhos vão voltar para o fogo ou para a janela do ônibus. Não tem não, essa é uma das coisas que apenas é e ninguém pode discutir.

Há muito tempo eu quero escrever algo sobre isso, porque realmente me fascina esse negócio de as pessoas estarem na frente de uma lareira, olhando pro fogo como se esperassem uma reação do mesmo. Um vulto surgir, o fogo aumentar, sei lá. Mesma coisa acontece com a mania que os seres humanos têm de, sempre que dentro de um ônibus, ficar olhando para a paisagem na rua. Vale também quando se está dentro de um carro, viajando para algum lugar e ficar analisando as cidadezinhas passando.

Certamente esses objetos, a lareira e a janela de ônibus ou carros, possuem alguma substância altamente hipnotizadora. Se eu fosse um deles, sentiria muita vergonha de todos ficarem me olhando sem parar.

Espero que algum dia os cientistas, que hoje se ocupam tentando criar o teletransporte, procurem descobrir que substância é essa, que fascina o ser humano. Não para usá-la como tática de guerra para paralisar o adversário, mas sim para somente descobrir, o que causa essa sensação tão agradável.

Monday, July 16, 2007

Minha

Dizer que te amo já é passado, assunto batido, fofoca velha, jornal de ontem. Mas dizer-te que não há braços como os teus isso sim é novo, presente, fofoca nova de vizinha velha ou crônica da Zero Hora do Luís Fernando Veríssimo.

O meu chão és tu. Doce meu, que não me canso de contar meus causos cômicos e tristes, só pra uma covinha se formar do lado do teu lábio.

Faltam-me palavras para expressar o sentimento que tenho guardado no peito. Ponto de equilíbrio meu, ponto de partida do interior da minha mente tão danificada pela tua falta.

É impossível não fechar os dois zóinhos ao sentir teu perfume passando com ar de menina decidida, que não está dando a mínima para o fato de eu estar te observando, ou estar apenas analisando alguma cousa qualquer localizada ao teu lado.

Olhos. Esses que tens tão meigos, com uma pureza sem antecedentes e que quando me refiro aos meus não posso dar-los outro adjetivo que se não reféns. Reféns de ti, da tua bochecha que me dá vontade de apertar.

Outra vez eu me despeço com um abraço apertado, com um beijo longo nas tuas recém citadas maçãs faciais. Beijo que pra ti parece não ter significado algum, mas que para mim, é mais uma forma de dizer-te: Eu te amo, garota.

Friday, July 13, 2007

Cordel do Fogo Encantado

Acordei hoje pensando em um CD que ganhei há um tempo já. Era o álbum de uma banda brasileiríssima, que faz música diferente de qualidade e uma presença de palco impressionante. Seguem algumas informações sobre eles:

Tal grupo participou da trilha sonora do filme “Lisbela e o Prisioneiro”, que tem uma das melhores trilhas sonoras que eu já ouvi – 2ª, se for incluir “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”. O nome da música que faz parte do disco do filme é “O Amor é Filme”, e me arrisco a dizer que é a melhor música do CD.

Gravou um “MTV Apresenta” no ano passado ou retrasado, sendo a melhor edição do fabuloso projeto da emissora. Não vendeu muito, é verdade, mas surpreendeu com um som diferente de todos os que passaram pela proposta.

Hoje à tarde, me deparei com a abertura do Pan-Americano Rio 2007. Sem nada para fazer (sabe como é, estou de férias), resolvi assistir. E não é que, no meio do troço, me aparece o Cordel ali? O Lirinha cantando na Globo, mostrando toda a sua presença de palco, toda sua brasilidade em seu som incrível. Eu fico impressionado como ele consegue virar os olhos para cima, cantar e dançar, tudo ao mesmo tempo. Resolvi pegar meu CD deles. Comecei a ouvir faixa por faixa e pensei: “Caraca, depois do Los Hermanos é a melhor banda to país, esses nordestinos!”.

O Gaúcho precisa perder esse preconceito que tem contra os nordestinos, o paulista e o carioca, tem que fazer o mesmo com o gaúcho e o brasileiro tem que perder o preconceito contra o Brasil.

Saturday, June 23, 2007

Máquina dos Sonhos - Parte II

- Eu achei uma máquina, aqui no colégio. Suspeito que seja uma máquina de sonhos.
- O quê?! Haha, tu só pode estar brincando.
- É sério, Cosme! Eu preciso da tua ajuda pra testá-la!
- Aham, vamos entrar na sua. Como eu posso te ajudar?
- Tu dormes na minha casa hoje, eu ligo alguns fios que eu achei nela em ti, tu tentas o máximo possível lembrar do sonho que teve, a gente vê o resultado que der na máquina na outra manhã e verificamos se bate. Só isso!
- Como é que é?! Tu tá ficando maluco? Não vai ligar porcaria nenhuma em mim! Tô fora, Vitinho!
- Eu preciso de ti, Cosme! São só alguns procedimentos, tu vais estar dormindo, não vai sentir nada! Vai, me ajuda!
- Vais ter que me pagar muitos CD’s do Los Hermanos por essa, cara.
Depois da aula, eu e Rafael não esperamos meu pai chegar para nos buscar e fomos correndo á minha casa para preparar as coisas para a noite. Vale a pena lembrar que meu amigo hesitou bastante e até tentou fugir enquanto eu tomava banho. Tudo por causa dos tais fios. Mas ele tinha que me ajudar, afinal, eu não tinha mais ninguém em quem pudesse confiar naquele momento.
- Estas confortável, Cosme?
- Tu ainda perguntas, seu babaca?
- Ai, meu Deus, vai começar!
- Ah, cara, eu não vou conseguir dormir com esses fios todos na minha cabeça!
- Eu pensei nisso, toma aqui um diasepan e fica quieto.
- Mais essa! Mais essa!
A chatice de Rafael não durou mais cinco minutos.
Eram sete da manhã quando o acordei de uma maneira inusitada.
- Bom dia.
- Eu te mato, desgraçado!
- Ah, foram só dois copos d’água. E então, lembra o que sonhou?
- Aham, sonhei que tinha ido num show do Los Hermanos em Porto Alegre.
- Agora vamos ver o que a máquina captou.
- Só quero ver...
- Impressionante!
- É exatamente o que eu sonhei! Tudo aparecendo nessa telinha!
Almoçamos junto de meu pai sem nem sequer mencionar o assunto da máquina de sonhos. Ele perguntou por que estávamos tão calados, pois não costumávamos ser assim. Respondi que estávamos preocupados com os estudos e por isso, tínhamos que voltar para aprender fórmulas de física. Fomos para o meu quarto e, enquanto Rafael tentava montar um cubo mágico, eu analisava a tal máquina para tentar descobrir alguma maneira de conseguir projetar na tela, sonhos de outras pessoas que não precisariam necessariamente estar ligadas à máquina.
- Achei!
- Achou o que, Vitinho?
- A maneira de fazer essa máquina me mostrar os sonhos das pessoas!
- E como se faz essa loucura?
- Simples, apertando este botão aqui, este teclado aparece, tu digitas o nome da pessoa desejada e logo após, aparece o sonho dela na noite anterior.
- E quem vai ser a primeira pessoa a perder sua privacidade de sonhos?
- George W. Bush.

Sunday, June 17, 2007

Livros, músicas e sorrisos¹

Não foi de sol que eu fiz a minha vida. Não, também não foi de lua, ou de inteligência, otimismo e cores. Sonhos? Talvez, mas não é essa a resposta certa, ela é formada de livros, músicas e sorrisos¹.
Não há definição melhor que essa, pois basta lembrar de uma música, que você se lembra de alguma parte da sua vida. As partes que não têm uma música sequer que te faça lembrar delas, ou não fizeram parte da tua vida, ou foram marcadas por livros ou sorrisos.

Filmes? Eles entram nas músicas e nos sorrisos, pois você lembra de um filme, também por uma canção, ou por um belo sorriso que deste vendo um hilário filme de comédia. Pegamos o exemplo de “Singing In The Rain”. Qual a primeira coisa que tu lembras quando falam do filme pra ti? Obviamente do cara aquele dançando e cantando aquela música e, logo a seguir, a música vem na tua cabeça.

Pessoas? Elas são mais uma subdivisão das grandes divisões vitais: As pessoas amigas e de sua família, entram nos sorrisos; os grandes artistas, entram nas músicas e os escritores e personagens, seja de filmes ou de romances, entram nos livros.

A vida que você fez é necessariamente feita por esses três fatores, não há como duvidar.

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¹: “Livros, Músicas e Sorrisos” é uma música da Debulle.

Thursday, May 31, 2007

Máquina dos Sonhos

Acordei um dia a me perguntar se era realmente eu um ser que sonha, ou um sonho que é. Desculpe a indiscrição de me apresentar rapidamente. Meu nome é Duarte. Na verdade é Vitor, mas todos me chamam de Duarte, por causa da minha estranha mania de chamar os outros pelo sobrenome.
Tenho olhos levemente cinzas, cabelo castanho claro e uma facilidade incrível de entrar em situações adversas. Como ia dizendo, tenho muitas dúvidas sobre os sonhos. Sempre achei muito ríspido e tangente dizer que são apenas o cérebro que não pra nunca de funcionar. Procuro há alguns anos a solução para isso.
Eu sempre fui considerado um idiota em meu colégio. Sempre fui aquele que todos odeiam e que almoça sozinho lendo um bom livro e ouvindo música. Seria hipocrisia de minha parte dizer que acordei naquela quarta-feira já sabendo que minha vida mudaria totalmente. Não. Acordei pensando ser aquele mais um dia terrível naquele frio colégio.
Eu conversava com Rafael Cosme, única pessoa que um dia me aturou. Meu único amigo, conheço há dez anos. Estamos fazendo bodas de caramelo de amizade¹. Segue a nossa conversa:
– Cosme, o que são os sonhos? – disse eu
– Como assim, Vitinho? - respondeu Rafael
– Os sonhos, ora, o que são eles?
– É o cérebro trabalhando enquanto o resto todo descansa. Nunca te ensinaram isso?
– Mas se for isso, a gente sonha o tempo todo!
– É.. Nunca pensei por esse lado.. Meu pai chegou, até amanhã, Vitinho.
Despedi-me de Rafael, enfiei as mãos nos bolsos do casaco e voltei para dentro do colégio. Não imaginava que faltavam poucos minutos para que aquela quarta-feira mudasse de um qualquer, para um dia especial. Comecei a ouvir uns barulhos estranhos que pareciam vir de um local fechado, mas de onde? De onde vinham aqueles ruídos que me arrepiavam? Não sabia. Continuei a procurar, então. Parecia que a cada vez que o som aumentava, mais distante eu estava dele. Eis que acho uma porta tremendo. Era ali, vinha dali o tal barulho estranho! Abri a porta. Assustei-me com o tamanho daquela máquina. Comecei a analisar aquilo, e depois de muito tempo achei uma sigla: “MDS”. Mas o que aquilo significava? Aparentemente, nada.
Tentei criar combinações para ela, como “Minha Doce Sandra”, ou “Máquina de Sucos”². Até que pensei na possibilidade de significar “Máquina Dos Sonhos”. Pensei em levá-la para casa, mas como? Não tinha como, era muito grande e eu só tinha meus lindos e pequenos bolsos. Fiquei desiludido de não poder fazer o que queria, mas acabei desistindo de arranjar um jeito de levá-la para o meu quarto e começar a desvendar os sonhos de todos. Estava tão concentrado que não ouvi a meu pai buzinando na frente do colégio.
Fui embora depois de muito tentar arranjar um jeito para levar a tal máquina para casa. Quando ia saindo do corredor, meu pai estava gritando desesperadamente meu nome e me mandando entrar rapidamente no carro. Passei o trajeto todo calado, pensando somente no momento incrível que acabara de viver.
Quando cheguei em casa, fui surpreendido pelo mesmo ruído da tal máquina.
– Pai, tu estas ouvindo?
– Ouvindo o que, Vitor?
– Esse barulho!
– Que barulho, tá ficando louco, guri?
– Esquece, pai.
Saí da sala de cabeça baixa e tratei de ir correndo para meu quarto.
Ao chegar lá, tive a maior surpresa da minha vida. Ali, ao lado do meu guarda-roupa, quase que escondido no meu daquele monte de coisas, estava ela: A Máquina dos Sonhos.
Confesso ter sentido medo ao chegar perto daquela coisa grande, barulhenta e brilhante. Pensei em correr até a sala, chamar meu pai e contar-lhe sobre a tal máquina, mas percebi que aquela era uma decisão muito arriscada, e decidi, então, contar apenas para Rafael sobre aquele trambolho.
Passei a noite inteira tentando descobrir como fazer funcionar a tal máquina. Estava tão compenetrado, que nem percebi que acabara de nascer o sol, e eu tinha que me arrumar para ir para o colégio e contar tudo para Cosme.
Pelo caminho, quis dividir com alguém a emoção de ter uma Máquina de Sonhos no meu próprio quarto, mas lembrei-me que estava sozinho, e então me contentei em tentar conversar comigo mesmo, para isso, criei um segundo Vitor. Para ele, dei o nome de “Silva”. Parece loucura, mas conversei com meu segundo eu por um tempo que não conseguira falar com ninguém até aquele dia. Foi aí que me convenci que eu era uma pessoa agradável. Mas fiquei me perguntando se teria eu inventado Silva, ou Silva havia me inventado.
Cheguei à escola e fui logo procurando Rafael.
– Cosme, Cosme!
– O que foi, Vitinho?
– Aqui não dá, vamos para a cantina.

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1: Bodas de caramelos é uma história real, de duas amigas que estão fazendo dez anos de amizade. O porquê de caramelos? Sei lá, pergunta pra Cecília ou pra Luíza.

2: Máquina de sucos é uma música da minha banda, Debulle.

Saturday, May 19, 2007

Os imprevistos da vida, caso a parte IV

- Eu realmente preciso responder isso, Romeu?
- É claro, senão eu não tinha perguntado, ora!
- Pois bem, mesmo que eu ache que isto não passa de uma crise de ciúmes, eu vou te responder. Não, eu não ando só com meninas aqui. Tem um menino que já é muito meu amigo aqui, mas eu não estou “andando com ele para cima e para baixo”, como andam te dizendo por aí.
- Mas ele já quis te beijar?
- Eu tenho que desligar, Romeu, senão vou me atrasar para o vôo.
- Agora tu estas mudando o rumo da conversa, Isabel! Estas fugindo do problema!
- Tchau, Romeu, daqui a pouco eu já estou aí.
- Isabel!
Já era tarde, ela já tinha desligado o telefone. Romeu chegou a pensar em não ir buscar a amada no aeroporto, mas depois percebeu que aquilo seria uma grande bobagem e ele ainda colocaria a perder tudo aquilo que havia conquistado ao lado de Isabel, dentre bilhetinhos de Amor e uma linda e sólida relação.
.Isabel não estava nada bem com aquilo tudo que estava acontecendo. Chegou à conclusão que o problema estava no ciúme de Romeu e no seu próprio egocentrismo e viu que isso é o que deveria mudar e ia mudar. Pelo menos de sua parte, para o bem do relacionamento dos dois, que era tão lindo. Chegou a correr uma lágrima do seu olho, e foi aí que ela percebeu que o amava mais do que imaginava.
Não era de ontem que Miguel sabia que ainda amava Isabel. Até hoje ele faz desenhos de os dois de mãos dadas andando pelo jardim de sua casa. Era por isso que ele tentava separar a garota de Romeu, para que ela se sentisse mal e corresse de volta para os seus braços, mas, mesmo assim, sabia que tudo isso era uma grande ilusão, mas ele não deixava de sonhar. Nunca amara ninguém como a amou e faria de tudo, até matar, se preciso, para ter ela de volta, tanto que sonhava com isso todas as noites, fazendo as mesmas ficarem mais estreladas, pelo menos para ele.
Romeu passou parte daquela tarde lendo “O Mundo de Sofia” e ouvindo The Beatles. Tentou pensar o menos possível em Isabel, mas quanto mais ele ia para debaixo das cobertas e lia, mais se lembrava de quando os dois viam um filme juntos ou liam algum livro . Não demorou muito e já estava o mocinho a pensar na menina que fazia seu coração virar de tanto bater aceleradamente.
Eis que chega a tão esperada hora de Isabel chegar. 18:00. Era esse o momento que há mais ou menos uma semana, os dois esperavam ansiosamente e que hoje, eles esperam com uma mistura de medo, raiva e dor.
Romeu, mesmo com todas as circunstancias apontando o contrário vai buscar Isabel na rodoviária de Satolep. Estava vestindo um blusão V verde, uma calça jeans e um All Star azul. Fazia muito frio na cidade e a dúvida se deveria mesmo estar ali, foi dando espaço à vontade de estar junto a sua amada. Ela estava vestindo um vestido azul marinho que fazia um lindo contraste com o cabelo castanho escuro e os lindos olhos igualmente azuis, e foram neles que os olhos de Romeu fitaram.
- Romeu, meu amor! – gritou Isabel, euforicamente.
- Minha pequena, eu te amo muito! – respondeu Romeu.

Thursday, May 10, 2007

Os imprevistos da vida, caso a parte III

Fazia muito frio em Satolep quando Romeu resolveu andar pela cidade para pensar em o que iria fazer para quebrar o gelo que havia entre ele e Isabel, pois ela estava para voltar de viagem no dia seguinte, e o rapaz não queria que ficasse um clima pesado naquele dia especial. Mas, na esquina da Rua XV de Novembro, próximo à Felix da Cunha, Miguel o estava esperando. Romeu tentou fingir que não o viu, mas Miguel o viu e, como já era de se esperar, falaram sobre a namorada do jovem apaixonado.
- Continuas com a Isabel, rapaz?
- Continuo, sim.
- Ela ainda não te traiu?
- Estou atrasado, Miguel, por favor!
- O que foi? Medo que eu revele algo sobre a sua linda princesinha?
- Saia da minha frente, por favor, estou perdendo a calma.
- Fiquei sabendo que ela está andando pra lá e pra cá com um moço que, pelo que eu soube, é muy guapo!
- Cala-te! Isso é mentira!
- Pergunta para qualquer cidadão. Parece que sua doce menininha, tem outra imagem para o resto da cidade!
Romeu ficou sem palavras para responder. Chegou a pensar em bater em Miguel, mas alguma coisa, que nem o próprio Romeu sabia, dizia para não fazê-lo.
- Então, não estava atrasado, Don Juan?
O mocinho saiu correndo pela Rua Félix da Cunha. Fez isso até chegar em casa.
Isabel estava a arrumar as últimas malas, quando teve uma sensação estranha, como se alguma coisa de muito ruim estivesse para acontecer naquele instante. Pensou em sua mãe, que havia voltado da viagem uma semana antes. Resolveu ligar para D. Margarida.
- Alô?
- Minha filha! Estou tão feliz que voltas amanhã!
- Está tudo bem por aí, mãe?
- Tudo bem sim! Seu pai está preparando uma grande festa para a sua volta!
- Que bom. Mãe, tenho que desligar, amanhã nos vemos!
- Boa noite, Isabel.
Romeu dormiu quando chegou em casa e só foi acordado no dia seguinte por sua mãe. Ele havia pensado em ligar para Isabel no dia anterior, mas preferiu não ligar.
O casal estava há três dias sem se falar, até que, no dia de sua volta, a garota resolve ligar para o guri.
- Oi, piá.
- Oi, pequena.
- Por que estas me tratando assim, Romeu?
- Eu gosto de ficar quieto às vezes, só isso.
- Eu te conheço, tu estas me escondendo algo.
- Não é nada Isabel, não é nada.
- Jura pra mim?
- Que horas o meu amor chega em Satolep?
- Não tenta mudar o rumo da conversa, Romeu, sabes que odeio isso!
- Não está acontecendo nada, ta bom? Nada!
- Então porque me tratar assim?
- Já te disse, só quero ficar quieto um pouco.
- E tu achas que eu acreditei nesta tua desculpa?
- Queres saber? Então vou te fazer uma pergunta, você aí está andando só com gurias, ou será que tem também algum menino “muy guapo”?
- De onde tu tiraste isso, Romeu?
- As pessoas comentam aqui.
- E tu vai acreditar nas pessoas que mal sabem de nós dois e não vai acreditar em mim? Por favor, Romeu.
- Pois então a senhora deve rever seus conceitos sobre amizades.
- Eu vou fingir que não ouvi isso!
- Não, fazer isso é esconder o problema. Tu não tens nada pra me contar do que está acontecendo aí? Não existe mesmo nenhum piá guapo que queira te beijar?
Isabel tremeu nas bases.

Saturday, April 14, 2007

O Cavaco e a Violona

Era pequeno, de voz fina e muito simpático. Era fácil e indispensável em caminhadas em grupo pela praia do Laranjal e tinha um Amor escondido por uma moça maior e mais velha. Era ele um cavaquinho e ela uma violona.
Ela era a preferida de todos e levada para todos os lugares como uma ótima companhia, até o cavaco chegar. Quando isso aconteceu todos só falavam naquele pequeno ser, faziam de tudo só pra tocar nele e esqueceram da existência da primogênita. Adquiriu um ódio quase que doentio dele.

Acontece que o pequeno se apegava muito fácil e foi aí que o tal se apaixonou pela tala. Mas, ela não o enxergava, apenas o via, o que deixava o cavaquinho pra lá de deprimido e causou várias crises existenciais no coitado. Esnobava-o como se esnoba um jornal de ontem e achava que estava certa. Esnobava-o pelo simples prazer de tê-lo aos seus pés e pelo simples motivo de achá-lo pirralho demais para sua grotescas maturidade. Mas, ele não queria saber disso, apenas a amava. E como a ele a amava!

Eis que um dia o nosso protagonista resolve se declarar para aquela puta e ela o esnoba de um jeito pior do que o esperado, pois fala todas as coisas ruins que se poderia imaginar e mais as que se poderia imaginar e olha que essas são ainda piores! Mas, o cara continuava apaixonado por aquela vaca. Agora ela tinha um certeza na vida: Que tinha alguém pra chutar, pisar, esmagar e fazer o que quisesse. E era só nesse lado que a vilã pensava: Em tirar proveito da situação pavorosa que o coitado passava naquele momento.
Na verdade, não é a primeira vez que ela pisa no lado amoroso de algo, há um ano, ela trocou um Baixo de 4 cordas por outro de 5 cordas, pelo simples fato do cara ter uma corda a mais, mas quem vê corda, não vê alma, e o tal baixo deixou ela alguns meses depois. Nunca mais amou depois do acontecido e com o cavaco não seria diferente.

Podia nunca acontecer, mas ele sonhava. E como sonhava aquele negócio pequeno da voz fina! Fazia de tudo para descobrir aonde a Violona ia estar para depois ir vê-la com seu som fora do comum, mas ela fazia questão de ignorar nosso desiludido protagonista.

Até que um dia ele cansou de correr atrás dela e viu que não vivemos em um comercial de margarina, não se pode viver sonhando o passado, deve-se sonhar o futuro então parou de imaginar a sua ex-amada sendo tocada pelos melhores músicos brasileiros, mas aí quem ficou triste foi a mocinha, que ao saber do desamor do seu cavaco, caiu na depressão e na crise existencial.

O cavaquinho achou uma banja em uma apresentação de banda de pagode e viveram felizes para sempre em um comercial de margarina. A violona arranjou um violão de 12 cordas e foi feliz com ele em uma novela das 8, mas, como em toda novela das 8, ela foi trocada por uma outra violona que era elétrica.

PS: Dedicado à minha futura(?) cunhada e ao nosso fiel escudeiro Silva!

Friday, April 06, 2007

Os imprevistos da vida, caso a parte II

No tempo em que ficou quieto Romeu viu passar um filme em sua cabeça sobre Isabel, Miguel e sua infância até os dias de hoje.

- Eu te amo. – disse ele fechando os olhos.

- Eu também.

- Eu tenho que desligar, meu amor.

- Tudo bem, Romeu. Até amanhã.

- Um beijo, eu te amo demais mesmo, Isabel.

- Outro, meu guri.

Romeu não dormiu aquele dia, ficou pensando em como teria terminado a conversa se tivesse falado com sua amada sobre o telefonema.

Isabel percebeu que alguma coisa havia acontecido com o piá e pede a Deus que esse mês passe o mais rápido possível, pois teme pelo amor dos dois.

O céu agora está roxo em Satolep. Romeu já está há uma semana como colunista do jornal local, mas só tem feito colunas delirantes sobre crises existenciais e coisas mirabolantes indecifráveis às mentes meramente humanas. Mesmo sem receber um “te amo” de resposta, apenas um “também”, sentia-se coberto pelo amor de Isabel que o aquecia naquele frio incalculável da cidade. Nunca falou, mas sempre esperou que Isabel falasse “te amo” para ele a qualquer momento, não somente como resposta.

Estava a moça sentada esperando um ônibus em Porto Alegre quando chegou a notícia que ela conquistara o coração de um rapaz muy guapo. Pensou em ir até ele, mas lhe passou na cabeça a imagem do abraço de Romeu, que a fazia ficar ali, parada, sem mexer nem um músculo. Apenas sentindo aquele abraço que fazia seu mundo girar mais devagar que o próprio inverno. Não foi até o guri, mas não escondeu a vontade. Agora pensa se conta ao amado o acontecido. Pensa se ele compreenderia, mas achou melhor esconder a verdade. Agora os dois têm mais uma coisa que os liga: A mentira.

O casal conversa todos os dias, mas fica claro que algo está errado. Claro! Um está mentindo para o outro!

- Amor! Falta uma semaninha para eu voltar pra casa!

- Eu sei, pequena, estou contando os dias para a tua volta, não vejo a hora de te dar um abraço daqueles de dar inveja a qualquer casal apaixonado que passe ao nosso lado.

- Tu és tão querido comigo, Romeu.

- Eu te amo, querida. É normal!

- Eu te amo também, meu guri! – disse Isabel com uma mistura de riso com choro e alegria com tristeza.

Wednesday, March 28, 2007

Os imprevistos da vida, caso a parte.

Romeu segura a mão de Isabel.
- Eu vou sempre te esperar, Isabel.
- Eu sei, Romeu, eu te amo.
Agora ele solta a mão da pequena que entra no avião, partindo rumo a Porto Alegre.
Chove forte em Satolep e o piá volta de cabeça baixa para a casa. Ele sabe que sempre vai esperar pela sua garota, mas teme mesmo assim.
- Como foi no aeroporto, Rô? – pergunta Dona Cristina
- Triste, mãe, eu não queria soltar a mão dela. – respondeu o rapaz.
A chuva é empurrada pelo sol, formando um lindo arco-íris no céu ainda cinzento da cidade.
Os amigos de Romeu lhe fazem uma visita para tentar animar o guri, mas sem sucesso, só a presença, o carinho e o abraço de Isabel podem o consolar.
- Vamos, cara, daqui a um mês ela vai voltar! – disse-lhe Rodrigo.
- Ah, Rodrigo, tu sabes que eu não consigo ficar uma semana sem aquela morena!
- Mas não é por isso que não vais viver, amigo, hoje vai ter uma janta na casa do Fernando, aparece lá!
- Tudo bem.
Romeu faz um esforço e vai à janta. Ele passa o tempo todo olhando o relógio para falar pela internet com Isabel. O piá empurra os joelhos contra o peito com as mãos, pensa só no seu amor, fecha os olhos para canalizar o pensamento e fala para si mesmo: “como eu queria que o tempo andasse um mês em apenas um dia!”.
Isabel passa a viagem inteira olhando o bilhete que o amado fez e dona Margarida olha para o rosto triste da filha e ri.

- Tu o amas mesmo!

- Muito, mãe!

- Um mês e tu já vais ver ele!

Isabel passou o resto da viagem quieta e dona Margarida impressionada com o tamanho do amor entre eles.

Romeu estava a dormir quando recebeu aquele telefonema. Levanta, vai até o telefone e o atende. É Miguel.

- Romeu?

- Quem fala?

- É Miguel.

Miguel é a pessoa que a amada de Romeu mais odeia no mundo, ele a traiu e a abandonou.

- Olá, Miguel.

- Bem, fiquei sabendo que estas com a Isabel.

- Sim, eu estou.

Pois saibas que não a recomendo.

-Por qual motivo?

- Porque ela não ama, apenas...

- Veja bem, Miguel. Eu amo a Isabel e não é por causa de um relacionamento que não deu certo por tu teres cometido canalhices com ela que o meu e dela vai acontecer o mesmo.

- Tu também és guri, sabes que a carne é fraca.

- Nem todo piá é promíscuo como tu.

- Nem todo piá é bicha como tu.

- Miguel, são oito e meia da manhã, eu preciso dormir.

Romeu coloca o telefone no gancho. Tem uma entrevista importante no dia seguinte para se tornar colunista de um jornal, mesmo que tenha 17 anos, tem chances de ser contratado. Tenta dormir, mas não consegue. Altera o pensamento entre Isabel e o telefonema.

Ele fala com a amada no dia seguinte ainda pensando na tal conversa da manhã anterior.

- Como está a viagem, querida?

- Ótima, tirando a saudade!

- Também estou com saudades, pequena.

O garoto pensa se fala ou não sobre Miguel, pensa se vale a pena ou não, se daria certo ou não. Pensa até se a chuva apertaria o seu coração. E apertou.

- Amor? - diz ele

- O que, meu piá?

Silêncio.

Sunday, March 25, 2007

Sonhos

Existem vários jeitos de se pensar “sonhos”. Tem o sonho de quanto tu dormes e o teu cérebro continua funcionando, mas essa é muito no ponto exato para mim, prefiro aquele mais figurado de tu sonhares só o que queres sonhar. Mas, como tudo, há uma controvérsia. Por exemplo, o sonho de uma amiga minha, que sonhou que eu e outro amigo estávamos andando de skate e aparecendo na MTV. É claro que eu nunca vou aparecer na MTV. Muito menos andar de skate, mas não custa sonhar, não é mesmo? Vai ver a Tani queria ver eu e o Douglas fazendo manobras radicais ou ver a Debulle na televisão.


Existem pessoas que não deixam o sonho vir aleatoriamente, gostam de, antes de dormir pensar no que vão sonhar. Às vezes eu me encaixo nesse grupo, às vezes não. Nesse grupo se encaixam as pessoas apaixonadas, que querem sonhar com a pessoa amada e se esforçam o máximo possível para sonhar com ela.

Os sonhos, em uma abordagem psicológica, são uma representação exata do nosso interior e se estudados corretamente podem ser um método de conhecer o psicológico da pessoa, fazendo assim, uma “fotografia” do inconsciente. Para os psicólogos, os sonhos têm uma linguagem própria, os símbolos. Não aqueles símbolos de “dicionários de sonhos”, vendidos em bancas de revistas, para eles, esses dicionários contradizem o entendimento de um sonho. Para eles, para entendermos sonhos, temos que primeiro entender os símbolos.

Temos também uma parte mais “seca” de ver os sonhos, a parte médica. Alguns neurocientistas consideram o sonho apenas um “tráfego” de informações que servem apenas para deixar o cérebro em ordem. Mas, eles não explicam peculiaridades dessa teoria, como por exemplo, Paul McCartney ter sonhado com uma melodia, depois acordou e compôs “Yesterday”.

Existem pessoas que pensam muito antes de dormir e por isso não sonham, como, por exemplo, minha amiga Cecília. Essas podem, ou por pensarem demais pegarem no sono rápido e por isso não sonharem, ou então não sonhar por outro motivo. Ou nenhuma das duas.

Outras não se lembram dos próprios sonhos, tendo apenas um grande “preto” enquanto dormem. Essas devem ter algum problema e devem procurar um médico. Eu que não quero ser o médico. Ou então nunca sonharam algo realmente marcante para ser lembrado.

Algumas não sonham, têm pesadelos. Essas podem estar estressadas demais por qualquer motivo, seja ele trabalho, problemas familiares, amorosos, etc. Outras dizem ter pesadelos para parecerem dark

Eu acredito que os sonhos são fotografias do nosso emocional, se tu estas apaixonado, vais sonhar com a pessoa amada, se tu estas estudando muito, vais sonhar que estas estudando. Claro, não leve isso ao pé da letra, às vezes tu sonhas aleatoriamente, como sonhar que ganhou um ingresso pra um show da Cachorro Grande em Belo Horizonte em um jogo de sinuca.

Anexo: “Os sonhos retratam uma realidade projetada pelas pessoas e por isso invadem o psicológico delas, porque os sonhos não passam de pensamentos ilustrados e, às vezes, até mesmo sentidos. Ou seja, “fotografam” uma realidade vista só por aquela pessoa”

Cecília Cordeiro

Tuesday, March 20, 2007

Redução da responsabilidade penal

Semana passada tive de fazer uma redação de colégio sobre a redução da maioridade penal, desde então tenho vontade de escrever sobre isso, mas não tenho tido tempo. Nem criatividade.

Eu sou razoavelmente contra a redução de 18 para 16 anos, não por “pessoas de 16 anos não têm consciência do que fazem”. Não, sou contra por achar que essa é mais uma medida equivocada de colocar os problemas para debaixo do tapete, escondê-los de uma maneira que tira a responsabilidade das costas de quem a tem. Se formos analisar a situação na qual o país vive hoje em dia em termos de segurança, veremos que essa não é nem de longe a solução mais adequada. Não para agora.

Existem outras formas que poderiam ter sido feitas agora, como a melhoria na segurança pública, coisa que já deveria ter sido feita há muito tempo, mas é esquecida seja qual o governo que está no poder. O caos é tão grande que os policiais ás vezes são os bandidos, como casos em que são roubados peças de carros, pelos próprios policiais que se fazem desentendidos logo após.

Outra opção que poderia ser adotada é a lei seca, que já funciona em cidades do interior de São Paulo e que diminuiu em média 80% o índice de criminalidade nessas cidades. Mas essa é uma opção a se discutir mais, por serem poucos os donos de bares que respeitariam tal medida, mesmo sabendo das conseqüências que essa atitude dos mesmos pode causar. Como já foi dito, a lei seca já foi bastante eficaz. Porém, é questionável a sua aprovação em cidades grandes, como São Paulo, Porto Alegre, Brasília entre outras capitais, por ser difícil um controle mais rigoroso do respeito à lei, mas juntando essa medida, com a melhoria da segurança pública, teríamos bons resultados.

É crítica, também, a situação do sistema penitenciário brasileiro. Não só por deixar os presos às vezes em condições desumanas de superpopulação nas celas, mas também as atividades dos presidiários chegam a quase zero. Tenho a convicção de que, se bem trabalhada, a educação dos presos poderia trazer ótimos resultados, pois não adianta absolutamente nada, deixar o criminoso dentro de uma cela parado, pois assim ele terá tempos para praticar e pensar em novos crimes. Esse problema poderia ser resolvido com cursos de trabalho manual, que ajudaria no desenvolvimento de alguma habilidade para o preso trabalhar quando estiver fora da prisão, assim largando o crime. Poucos sabem, mas existem presos que, dentro da prisão começam a ler livros, estudam e se formam grandes advogados para lutar em sua própria defesa para sair da prisão, dando assim exemplo para outros presidiários fazerem o mesmo e assim, deixar de serem criminosos.

A educação é a melhor e mais certa forma de combater o crime. Não só a educação dentro das penitenciárias, mas principalmente na base, pois com uma boa formação e qualidade de ensino, diminuiria radicalmente o número de pessoas com tempo para cometer crimes. Digo isso mais direcionado às escolas públicas, pois com atividades em turno inverso, seja ela esporte, música ou qualquer outro tipo de ocupação para esses jovens, fazendo assim eles não só não pensar em crimes, como ter mais uma chance de escolher o que vai fazer no futuro.

Afinal, que jovem de 16 anos, com uma boa educação, vai pensar em cometer infrações?

Wednesday, February 28, 2007

Quatro pessoas, quatro pensamentos diferentes e uma só salvação. Podes entender como “o motivo pela separação das crenças”

Uma vez houve respeito entre crenças. Um ateu, um católico, um muçulmano e um judeu andavam por uma ruazinha sem saída, conversando sobre assuntos que jamais consegui decifrar quais eram. O que importa era que conviviam felizes, sem concorrência, sem ofender um ao outro. Tão envolvidos na conversa que nem notaram que a rua era sem saída.

Era sem pedras e com paredes brancas, os muros tinham falhas que possibilitavam a subida nos mesmos. Aí é que nasceu todo o problema da discriminação de religiões. Há quem diga que, subindo o muro do fundo do beco, se encontra um gênio, contaram-me que ele realiza o desejo da vida eterna pra quem chegar até ele. Um dos quatro homens que andavam juntos inventou de subir o tal negócio, quando de repente o gênio vem até ele e, num momento de extrema amizade e felicidade o homem diz para os outros também subirem. Aí que ele errou.

Quando todos subiram, cada um reverenciou o gênio conforme sua religião: O católico o pediu a bênção, o muçulmano se ajoelhou e beijou seus pés, o judeu pegou sua Torá e o ateu, sem ter crença alguma, não conseguiu enxergar o gênio, que por sua vez se viu encabulado, pois só poderia realizar o sonho da vida eterna para um deles, então resolve fazer um tipo de “corrida ao pote de ouro”:

- Estão vendo além desse muro? – disse o gênio.

- Sim! – disseram os outros três.

- Pois então estão vendo o horizonte lindo que temos aqui.

Ao fundo se podia ver um arco-íris se formando no tal belo horizonte

- Ganhará a vida eterna aquele que me trouxer o pote de ouro que há junto daquele arco-íris. – explicou o gênio

- Só correr até lá? – disse algum deles

- Sim, vocês terão que correr, mas no caminho haverá muitos obstáculos, que os quais vocês não irão vencer sem sua fé.

- Isso não é problema, o único que não a tem aqui é o ateu, e ele vai ficar.

Nunca mais foi visto aquele homem sem fé.

Desde que o gênio deu a largada em busca da vida eterna, a amizade forte que existia entre o muçulmano, o católico e judeu não se fez mais presente.

Quando apareceu o primeiro obstáculo, eles pediram cada um de seu jeito e para seu deus. O obstáculo era uma tempestade gigante, que cessou um dia após as orações, mas o solo que eles pisavam era de areia e a água da chuva dificultou a caminhada dos competidores. Um mês depois, chegou outra tempestade, dessa vez de areia. Sem se lembrar de rezar, eles apenas levaram as mãos aos olhos e pouco lhes atrapalhou aquela areia. Risos sarcásticos.

Em uma época sem nenhum empecilho, começaram as brigas entre eles próprios, Cegos com a chance de ter vida eterna, Eles começam a se digladiar, se esquecendo totalmente do que havia acontecido antes do tal beco sem saída, mudaram seus pensamentos, esqueceram de seus valores, da ética, do respeito.

Era um dia de sol intenso quando o muçulmano resolveu perguntar ao judeu para que lado estava o oeste, para poder rezar e pedir pelo amor de Deus que deixe-o ganhar a disputa e ter a vida eterna., mas o judeu o ignorou. Pediu então ao católico, mesma reação. Ou falta dela.

Em uma parte do percurso, areias movediças começaram a puxar os fiéis, Oraram rápido, pediram para não morrer, imploraram perdão, mas não adiantou, a areia movediça os atacou de vez, não tiveram o que fazer a ao ser correr, até que o católico, acabou por ser sugado pela areia, desesperado, pede então, ajuda ao muçulmano, que o olha pasmo com aquela cena, mas lembra que o companheiro o abandonou na hora que precisou e a memória pré gênio já foi apagada da sua cabeça e ele, sem titubear, corre para se salvar e deixa o católico morrer.

Agora apenas dois competidores lutam pelo pote de ouro no final do arco-íris. Silêncio. Isso foi a rotina dos sobreviventes por muito tempo, não para sempre.

Passaram-se vinte e cinco anos desde que o primeiro morto se foi, os sobreviventes agora estão magros, velhos, enrugados, com cheiro desagradável e com fé incrivelmente inabalável.

Encontraram duas espadas com um bilhete: “lutem, quem sair vivo dessa leva o pote de ouro”.

Começa a batalha final, eles nunca nem se quer viram uma espada, muito menos tocá-la, menos ainda manuseá-la, mas mesmo assim atacam-se, os dois têm a mesma força de vontade, mesmo tamanho de fé, mesmas habilidades.

Você deve estar-se perguntando: “onde foi parar o ateu?”

O ateu voltou para o outro lado do muro, voltou pra casa, se casou, teve filhos e morreu de velho, viveu até o seu corpo não aguentar mais.

Alguns dizem que o gênio era invenção daqueles três malucos, outros dizem já terem o visto, mas acharam que não valia a pena gastar toda a vida atrás de uma incerta vida eterna.

Dizem que a areia movediça não matava realmente, porém enlouquecia e fazia a pessoa se perder na vida.

O judeu e o muçulmano brigam até hoje para ver quem vai passar para a última parte de terra antes de chegar ao pote de ouro.



Nota do autor para o texto: 9,7

Wednesday, February 21, 2007

A Queda

Era uma vez(jeito bem criativo de começar um conto dessa qualidade), Uma menina, com cabelos pretos e olhos igualmente pretos. Ela estava em seu computador vendo um de seus muitos vídeos do John Travolta e jogando Boohbah 2 quando de repente o telefone toca,a garotinha leva um susto, um susto misturado com preguiça de levantar da cadeira e ir até o telefone atendê-lo e continua vendo seus vídeos e jogando, muito concentrada em Boohbah 2, um jogo extremamente espetacular que conta com muitas cores e animaizinhos bizarros. Mas, não adianta, o telefone continua tocando e a menina começa a ficar preocupada, pois pode ser uma ligação importante, mas nada a afasta de Boohbah e de John Travolta. Nada mesmo. Mas, o telefone continua tocando e quanto mais ele toca mais a guria fica preocupada e mais fica interessada nos vídeos e no jogo. Chuva.

Um piano desvairado começa a tocar na cabeça da menina em canções rápidas e que servem para um fundo musical para alguém que vai morrer.

O telefone toca novamente, a menina começa a sentir o coração tocar de um jeito, ela bebe um copo de alguma coisa que não consegui imaginar. Nem ela imaginava que seria a última vez que iria tomar aquilo. Derrama o copo quebrando-o e sujando todo o chão. Ela está de pés descalços, mas não sabe disso. Agora já não está mais tão concentrada no jogo e os vídeos do Travoltinha já estão segundo plano. Ela espera o telefone tocar de novo, mas não consegue ouvir o bendito tocar, pois o piano que toca dentro de sua cabeça em canções mórbidas de morte toca cada vez mais alto, como se a cada aumento de volume a morte chegasse mais rápido.

Medo.

Essa é a palavra que melhor define os olhos da menina agora que, junto com o piano, um violino toca encima de sua cabeça fazendo-a ficar louca. Ela apenas está esperando o telefone tocar, mas o maldito não toca mais, ou seria o piano juntamente com o violino que não a deixam ouvir? Não sabe. Ela não sabe qual o motivo pela pausa nos toques do telefone. Ela está com sede, mas derramou o copo do líquido que bebia e sua boca começa a ficar extremamente seca. Os sons dos instrumentos imaginários se misturam com a música avassaladora do Boobah e ela fecha seus olhos e leva as mãos às orelhas como se tentasse evitar todos aqueles sons se misturando.

Susto.

No meio de todo o medo, televisão, que estava ligada o tempo todo também misturando o som com o do piano, o do violino e o do Boobah, começa a tocar Prince, um grande ídolo da garotinha. E ela resolve se jogar da cadeira para a cama para poder ver o Prince na TV.

Surpresa.

Enquanto se jogava em um salto mortal completamente arriscado da cadeira para a cama, a Menina tropeça no fio do ventilador, cai no chão e morre sem uma parte do nariz. FIM.

PS: Texto dedicado à Tanira, pessoa que realmente viveu esta história e conseguiu sobreviver!




Nota do autor para o texto: 9,5

Thursday, February 15, 2007

A supremacia dos Strokes no cenário musical mundial

É impossível você nunca ter visto na rua algum guri de uns 15, 16 anos com um cabelo meio bagunçado, uma jaqueta jeans, uma cara de sono. Tipo Strokes.

Isso se explica pelo sucesso de público e de crítica que a banda americana tem feito desde que lançou hit “Last Nite” e foram considerados “a salvação do rock”. O fato é que os Strokes fazem um som chamado “indie” que é um estilo musical que não é feito especificamente para vender, mas acaba vendendo. Muito.

Para entender do que se trata estilo que a banda de Julian Casablancas se encaixa é preciso enumerar dois tipos de indie

1° - Indie crente: Um bando de rapazes de camisa pólo listradas verticalmente, com um cabelo arrumado curtinho e uns óculos. Fazem um som parecido com o BritPop, temos como exemplo o Weezer.

2° - Indie Bêbado: Um bando de rapazes de jaquetas de jeans, all star sujo, cabelo desleixado bastante ensebado e cara de bêbados. Fazem um som alternativo, cru, temos como exemplo os próprios Strokes.

Essa definição dos indies foi só para ressaltar onde está o pote de tesouro dos Strokes. Está exatamente na bebida, no cabelo desarrumado e nas guitarras mal feitas(pegue como exemplo os Arctic Monkeys), isso encanta os jovens, público que mais aprova o som deles. Está no som cru, que é o que o jovem alternativo, que não se escala em nenhuma tribo procura e acha no som dos Strokes.

Outro triunfo dos Strokes é, mesmo sendo uma banda de muito sucesso, não entra em paradas de sucesso, coisa que os preserva e preserva seu respaldo com os fãs de mais tempo, coisa que não aconteceu com bandas como Cachorro Grande e outras, que foram descobertas por outras tribos e assim como ganharam vários outros novos fãs, foram perdendo sua credibilidade com seu público mais antigo.

Uma coisa que chama muita atenção nos Strokes, que já foi citado acima é o quão o público alternativo se identifica com a banda. Um jovem no cabeleireiro não fala mais “quero meu cabelo diferente”. Não, ele fala “quero meu cabelo bagunçado, tipo Strokes” imediatamente o profissional faz o corte do jeito que o cliente pediu, pois já sabe como é o corte “tipo Strokes”. Quando uma banda começa a fazer sucesso apenas pelos “rostinhos bonitos” dos membros, logo se fala “ah, tipo os Strokes!” e por aí vai.

Também é de se destacar o público mais velho, que gostava do som dos Beatles, dos Rolling Stones e por aí vai, muitas pessoas falam “ah, a banda de uns amigos meus toca uns covers bons!” e a outra pessoa responde “ é mesmo? Que bandas?” logo vem aquela resposta clássica “ah, Beatles, Stones, Strokes” acho que depois de décadas sem artistas parecidos com esses clássicos os Strokes foram os únicos que fizeram sons parecidos e aprovados pelo público fã de bandas dos anos 60 e 70.

Os Strokes são, com certeza a melhor banda dos anos 00, tanto por fazerem um som diferente, como por conseguirem desviar de rótulos, modinhas e outras coisas do gênero e por, definitivamente, ter seu próprio estilo.



Nota do autor para o texto de 0 a 10: 8

Wednesday, February 07, 2007

Stalin, o Socialismo que apóio e um pouco de Anarquismo

Eu, particularmente, apóio o Socialismo sem opressão. Apóio a liberdade de expressão, os direitos iguais, por isso não apóio o Socialismo de Stalin, pois ele se perdeu com o poder e acabou matando civis para que os mesmos não atrapalhassem suas ideologias. Acho que isto foge dos ideais socialistas, pois ao mesmo tempo em que nós, socialistas, queremos liberdade de expressão, igualdade de expressão, quando se tem um Stalin no poder isso não acontece, pois teria ainda gente insatisfeita que não poderia se expressão, com a conseqüência da morte.

Prefiro o Socialismo cubano, não precisando matar nenhum civil pra continuar no poder, mesmo com Fidel quase morto, ele continua com um grande índice de aprovação em Cuba, apenas os cubanos que hoje vivem nos EUA estão comemorando a notícia da morte do revolucionário.

Stalin ganhou o ódio até mesmo de seus camaradas Lênin e Trotsky, principalmente do último, que criou uma doutrina política completamente em oposição ao stalinismo. Ele ganhou o ódio dos colegas exatamente por ir contra os ideais comunistas, que prezam uma sociedade igual, em que todos possam opinar, ele fez exatamente o contrário, matou quem se opunha as idéias dele.

Alguns dizem que sem violência não se consegue implantar o comunismo. Eu acho errado, pois matando as pessoas que não concordam com seus ideais, se está fazendo o mesmo que os tiranos e capitalistas fazem hoje em dia e, seria trocar seis por meia dúzia, oprimindo outros e privilegiando outros. Claro que tudo isso não se compara ao imperialismo americano, que se diz atacado pelo terror com o ataque as torres gêmeas, quando o número de pessoas mortas ali não é maior do que o imperialismo de Bush mata por hora. Não que eu ache certo o feito nas torres gêmeas, para mim qualquer manifestação em que há morte de civis merece ser exterminada.

Outra questão bastante polêmica quanto ao Socialismo é uma própria variante dele: O Anarquismo, tratado por alguns como terrorismo(vide Revista Super interessante) existe até mesmo o anarco-capitalismo, que é mais uma doutrina anticomunista. O Anarquismo se baseia em um sistema sem governo, na qual o povo tem total poder, mas o problema do Anarquismo é a forma na qual é implantado, os anarquistas apóiam que apenas com violência se consegue implantar o sistema, o que nos volta para Stalin, seria ele um anarquista russo? Não que eu seja contra o anarquismo, acho um sistema lindo, porém com um método de implantação bastante errado.

Acho que o socialismo e o comunismo são as soluções, mas sem nenhum Stalin para manchar a imagem.



Nota do autor para o texto de 0 a 10: 6

Thursday, January 25, 2007

O menino e o escritor(parte 3)

Havana, 15 de agosto de 2001

Timótio estava tomando chá de maçã, coisa que fazia toda manhã antes de ir vender seu jornal. Agora Timótio já não escrevia sozinho, arranjou dois amigos, se não me engano se chamavam Jonas e Vinícius, ambos brasileiros e com 20 anos. Os três escreviam textos com a mesma ideologia, então resolveram se juntar e formar o jornal “Rosa lúcida”. Recebiam muitas críticas negativas, coisa que não os abalava, pois sabiam que nessas revistas em que recebiam essas críticas, tinham dedos tiranos e poderosos. Timótio acreditava que tinha dedos de Henríquez Gonzáles, nome do tal homem que queria comprar todos os jornais de Timótio no início de 2001, mas voltando ao chá de maçã, Timótio estava o tomando tão apreensivo que se podia ver as veias saltadas segurando a xícara. Vinícius, que estava aprendendo o espanhol, balbuciou algumas palavras, mas o cubano fez que não as ouviu. Vinícius insistiu nas tais palavras, falou-as tão rápido que ali se viu que não estavam lhe adiantando nada o curso de espanhol que estava fazendo. Timótio abaixou os olhos, suspirou e entregou uma carta ao brasileiro, era da mãe do jovem escritor cubano escrito em espanhol, o que dificultou a leitura de Vinícius:

“Timótio querido, seu pai não tem saído do quarto desde que você desapareceu. Não come, não fala e nem dorme, finge que dorme, mas você me conhece, sou muito preocupada com ele e notei que ele não prega os olhos nem um minuto. Essa semana, porém, as situações se agravaram, seu pai começou a sentir pontadas, e todos nós sabemos que ele não é nenhum jovem, eu o quis levar ao médico, mas ele não mudou nada desde sua partida, continua muito dono de si e disse que não era nada, ontem, porém, eu o vi tossir sangue e fiquei muito preocupada. Uma preocupação que logo passou. Passou mas logo voltou, seu pai desmaiou, mas mesmo assim não quis ir ao médico, portanto, a primeira coisa que pensei foi em lhe mandar uma carta, peço que não me pergunte como consegui seu endereço, apenas lhe peço que venha até Holguín para convencê-lo a ir consultar um especialista."

Um beijo

Sua querida mãe.”

Depois de muito tempo decifrando o tal texto, Vinícius devolve a Timótio a carta enquanto morde o lábio inferior, que era sua marca de preocupação.

- O que você vai fazer? – perguntou-lhe

- Sinceramente? Não sei, não posso largar o jornal. Não agora! – respondeu Timótio

- Mas é seu pai!

- Meu maldito pai, que me desprezou e tanto atrapalhou minha vida, eu já tinha o esquecido, mas, como de costume ele parece para destruí-la novamente.

- Pai é pai, camarada, não se tem dois e não se pode trocar de pai como se troca de calças a cada início de dia.

- Pai é pai, mas o meu não é pai.

- Se até Deus perdoa.

- Esse Deus que tanto falas, perdoa, mas também castiga, eu o perdoei quando ele e minha mãe me desprezaram em Holguín e agora posso muito bem castigá-lo por aparecer em uma maldita hora importuna na minha vida. Posso ser Deus por um dia, não é o que falam por aí?

Vinícius abriu a boca para falar algo, mas resolveu se calar, pelo menos naquele momento.

Passou-se uma semana sem que a mãe de Timótio viesse a mandar outra carta para o apartamento de dois quartos que Timótio havia comprado logo depois de conhecer os brasileiros. Nessa carta, o texto era curto, dizia apenas “Se pai morreu, está feliz agora?”.

Vinícius não escondeu sua raiva e até um pouco de desprezo por Timótio quando recebeu a carta.

- Eu não esperava isso, não de você, camarada Timótio. – falou ele, olhando para o amigo como quem olha para um tirano que acabava de pisar em uma criança do seu próprio povo.

Dia 24 de agosto, dois dias após a morte do pai de Timótio, os revolucionários tiveram sua maior venda de jornais, chegando a vender 1.500 exemplares apenas em Havana, Vinícius já estava falando bem espanhol e pôde participar mais diretamente da produção do jornaleco, Jonas conseguiu organizar uma manifestação anti-EUA nas principais ruas de Havana e Timótio, enquanto vendia os jornais na rua, conheceu Hugo Hernandes, coisa que fez seus olhos brilharem, alguns dizem que ele chegou a babar, mas isso eu não cheguei a perceber.

- Tenho lido seu jornal e de seus colegas, gostei bastante! – disse Hugo, fazendo Timótio ficar branco como leite, e olha que o guri era quase negro.

- Obrigado! – falar não é a palavra mais adequada para o que saiu da boca de Timótio, ele gaguejou sem tirar os olhos do ídolo.

- Um dia desses podemos escrever alguma coisa juntos, o que acha?

- Pode ser! – mais uma vez gaguejou o piá.

Alguns dizem que ele desmaiou por alguns segundos depois do acontecido. (Continua na parte 4)



Nota do autor para o texto de 0 a 10: 9

Sunday, January 21, 2007

O menino e o escritor(parte 2)

Partindo dessa teoria, do menino escrever textos escondido dos pais, não há como ser criativo e não dizer que os pais descobriram os textos escondidos embaixo da cama do menino e que não gostaram nem um pouco. Mas podemos mudar um pouco, dizer que os pais apenas descobriram quando o menino estava com 17 anos. Está certo? Tudo bem. Vamos ao texto então.

Timótio de vê encurralado naquela situação em que passam na sua cabeça idéias como: “o que vou dizer a eles?”, “não posso mais dizer que estava apenas desenhando!”. Cansados de esperar uma resposta do filho, o pai aponta o dedo pro menino, enruga as sobrancelhas e fala com uma voz de nojo: - Maldito comunista! Não foi isto que aprendeste em casa! O que pretendes ser ao momento que eu deixar de existir, Pois todo comunista é vagabundo!
Timótio, tocado com aquelas palavras coloca os olhos na direção de sua mãe, que por sua vez diz: - Guri retardado! Esses textos são ridículos! Pensas que vais viver deles?
Timótio volta a pensar em mil coisas diferentes, mas apenas uma imagem fica na sua cabeça: A de ser um jornalista alternativo e escrever o que quiser, sem se preocupar com emprego ou o que vai escrever. Então Timótio diz aos pais

- Deu?

- Deu o que?

- Desse discurso completamente equivocado e conservador, Deu?

- Ora, vá se danar, guri cagão.

- Apaguem a luz quando saírem.

Os pais nunca mais viram o filho.

Havana, 18 de fevereiro de 2001
Nos EUA, ninguém imaginava que aquela vista de um lago, mais ou menos sete meses depois não seria mais a mesma. Muito menos Timótio Corte Real, agora com 18 anos, cabelo pelos ombros, barba mal feita, camiseta vermelha, boina na cabeça e recebendo muitos elogios pelo seu jornal imprimido em seu computador em sua kitnet de fundos em Havana, “Opinião Alternada” era o nome do jornal de umas 6 páginas que falava muito bem sobre política com pimenta vermelha.

Estava tudo indo como sempre nas vendas do jornal, até que um homem bem vestido, com um terno grafite e gravata fina igualmente grafite se aproximou do garoto.

- Quanto custa?

- Pro senhor dois pesos cubanos

- Eu quero tudo

- Mas por qual motivo o senhor quer todos os jornais?

- Não discuta e me vê logo os jornais, eu vou lhe dar um bom dinheiro.

Timótio, então olha para todos os lados e vê outro homem vestido da mesma forma do homem que queria lhe comprar todos os jornais, o piá não era burro, logo percebeu que se tratava de membros do partido de direita contra Fidel Castro.

-Não, não venderei todos, mas faço questão de lhe dar um exemplar – disse-lhe o guri.

- Ora, guri, e eu não sei que vives na miséria naquele mísero apartamento de fundos, estou tentando te ajudar!

- E eu não sei que és do partido de direita que está tentando apagar minha opinião com dinheiro?

- Guri, última chance de tu me venderes essas merdas, daqui a pouco eu vou é pegá-los de graça e vou limpar minha bunda com eles. Vamos, me dê logo

- Não e não insista, senão eu chamarei a polícia!

- Garoto atrevido! Mexeu com quem não devia!

- Porco capitalista! Mexes comigo desde que eu era piá!

- Ora, seu vagabundo comunista, vais querer discutir isso comigo que tenho idade para ser seu avô?

- Por teres idade para ser meu avô viveste coisas que eu não vivi e deverias pensar nas conseqüências que isso trouxe para ti!

- Quem pensas que és para levantar a voz comigo assim, guri cagão!

- Sou um cidadão, em pleno gozo de meus direitos de distribuir minha opinião aos outros, ao contrario de ti, que está tentando me subornar e tirar meu direito!

- Você ainda vai ouvir falar de mim guri, ainda vai!

Aquela noite, Timótio não conseguiu dormir pensando naquilo que tinha ouvido do homem velho, depois Timótio descobriu que ele era amigo de um colunista político de uma revista de direita contra Hugo Hernandes, fazendo o guri perceber que certamente se tratava de uma pessoa mandada ali justamente para intimidá-lo. Timótio passou dois meses sem vender seu jornal novamente. (Continua na parte 3)



Nota do autor para o texto de o a 10: 7

Monday, January 08, 2007

O menino e o escritor(parte 1)

Estava eu, lendo um livro de meu pai chamado “Perguntar Ofende” que trata sobre as perguntas indiscretas que jornalistas fazem, mas não devem fazer a seus entrevistados, li o livro e cheguei a conclusão que, na verdade, as entrevistas que ficam para sempre, que todos lembram, geralmente são aquelas com humor, até mesmo com uma certa ironia e eu, se realmente decidir fazer uma faculdade de jornalismo, que é uma das várias opções que tenho na cabeça , com certeza iria colocar ironia em minhas perguntas aos meus entrevistados, pois para mim, textos irônicos são os melhores, os mais inteligentes, mas tudo isso foi apenas uma introdução para que entendas o texto sobre o menino que escrevia textos escondido dos pais.

Certa vez, Timótio Corte Real, menino novo, 12 anos de idade, estava lendo o Correio de Havana, jornal cubano. Timótio, então, se apaixona pelos textos do escritor Hugo Hernandes que escreve textos apoiando o governo de Fidel Castro e, de um modo bastante irônico, criticando o presidente dos EUA, George W. Bush e todo seu método de governo, chamado de bélico.

Cada vez mais encantado com os textos, o garoto resolve então começar a escrever seus próprios textos, assim como os de Hugo, ele começa escrevendo textos irônicos contra os EUA e apoiando Fidel, mas escondido de seus pais, que são de direita pró-Bush. Todo dia vendo no seu pequeno aparelho de televisão as atrocidades feitas pelo presidente americano. O menino Corte Real, então, pega seu caderninho secreto junto com seu lápis e começa a anotar suas críticas inteligentemente feitas ao presidente. Assim que seus pais(sim, eles não terão nome no texto, se é que você está se perguntando sobre isso) ele esconde o caderno e coloca no canal de desenhos animados, se sentido a pessoa de 12 anos mais alienada do mundo, coisa vista em seus olhos. Algo que seus pais não faziam há muito tempo.

Timótio esperava ansiosamente a saída de seus pais para o trabalho para, então, ter a tarde livre para ver o noticiário, ler a crônica de Hugo Hernandes do dia, se basear nele e fazer a sua. Essa era a sua rotina até a hora de seus pais voltarem, e, ele incrivelmente conseguia disfarçar muito bem que estava apenas assistindo desenhos e, se deixasse o lápis a mostra, dizia que tinha pego para desenhar alguma coisa. O garoto era realmente bom em fazer a cabeça das pessoas.(Continua na parte 2)


Nota do autor para o texto de 0 a 10: 6,5