Thursday, December 01, 2011

Desligando o aparelho da NET

Gato é um troço 8 ou 80. É ame ou odeie. Quando a Bruxa foi lá pra casa eu era bem pequeno, então não lembro de como era a minha vida antes dela. Sempre que alguém me visitava, era a mesma coisa: “Nossa, eu queria ter uma gata igual a essa”. Pois é. Todo mundo queria. A Bruxinha era a mesmo a melhor.

Só que aí lá por 2008 começaram a surgir uns caroços. No início eu não me preocupei, uma vez um cachorro meu tava com um desses e o veterinário disse que era só uma entorse no músculo (?), que era normal e nem doía. Achei que era a mesma coisa, visto que a Bruxa vivia em apartamento, mas tava sempre pulando de galho em galho. Ela vivia correndo pela sala, brincando com as coisas, mesmo tendo 17 anos e, por tudo isso, eu achava que era bom sinal. Bem, não era. Ao contrário de cachorro, que quanto tá doente fica na dele, dengoso e com o nariz quente, gato fica agitado quando sente dor. Que idiota, eu só me dei por conta que isso era um indício de problema depois de muito tempo.

Enfim, os caroços foram crescendo e aí então eu levei ela no veterinário. Incrivelmente ainda era cedo, não tinha rolado metástase e o lance era totalmente tratável. Fui tratando durante algum tempo. Depois de muitos medicamentos testados veio a primeira cirurgia. Levei a minha gatinha no cobertor predileto dela, olhei nos olhos azuis e disse “te vejo na volta, velhinha”, quase como uma pergunta pra mim mesmo. Vi. Fui lá buscar e ela estava com a barriga toda cortada, com o pelo raspado e com uma mama a menos. Mas sem merda nenhuma.

Como um amor maldito, a doença dela voltou depois de um tempo. O veterinário disse que isso aconteceria, mas eu fui tentando esquecer aos poucos e consegui fazê-lo. Bem maior, aquela droga de um dia para o outro já tava quase abrindo. Liguei pra clínica e corri pra lá. Metástase. Já tava atingindo outros órgãos. Voltei pra casa e xinguei a porra toda. Me isolei do mundo por um tempo, mas percebi que aquilo só tava fazendo mal pra Bruxinha e voltei pras minhas atividades. Marquei a segunda cirurgia e fiz questão de levar ela lá. A recepcionista já me conhecia e, óbvio, já tinha se apegado ao melhor animal doméstico do mundo. Pela primeira vez havia a possibilidade real dela não voltar pra casa. Não dormi pelos três dias que ela ficou longe e, quando o telefone enfim tocou, meu coração quase saltou pela boca. O veterinário queria ele mesmo falar comigo. Fiquei mais tenso ainda. Ela tinha sobrevivido e eu lá fui eu extremamente feliz buscar a minha gatinha. Sem mamas em um dos lados. Praticamente sem recheio. Tentei nem olhar porque eu sabia que ia doer pra caralho ver aquele bicho que lambia meu nariz antes de eu dormir naquele estado.

Teve uma vez que eu fui pro Uruguai passar o fim de semana e ela ficou sozinha no apartamento. A Bruxa sempre teve problemas com isso, uns cinco, seis anos antes a minha família resolveu alugar um apartamento na cidade pra reformar a casa do Laranjal, ela se irritou porque nunca tinha ninguém em casa e sumiu por uns dois meses. Enfim, nesse fim de semana que ela ficou em casa, tentou fazer o mesmo. Só que ela não só não era mais uma gata jovem, mas uma gata velha e doente. Não conseguiu pular o muro do prédio e caiu no pátio da casa ao lado. Passou sábado e domingo na chuva, doente e sem comida. Sobreviveu, óbvio, ela era a Bruxa.

Bem, com o tempo ficou tudo bem, ela voltou ao “normal”, dormia nas minhas costas no sofá e me pedia comida quando eu acordava de madrugada. Só que é óbvio que depois de um tempo voltou tudo. Aquela merda já tinha atingido o fígado e a cirurgia já tinha ultrapassado o 50/50 de chances. Minha família fez uma reunião. Em pauta, decidir se mandávamos a Bruxa para a cirurgia pra prolongar a vida dela, mesmo que a gata vivesse dali pra sempre com muita, muita dor, ou se sacrificávamos. Ninguém teve coragem suficiente pra segunda opção e lá fui eu com a Bruxinha e o cobertor predileto dela para a clínica. Já éramos de casa. Mesma função, a recepcionista me ligou, fui lá buscar o meu animal de borracha. Nem olhei pra ela no caminho. Quando cheguei em casa, vi um bicho que não era pele e osso. Era só pele. Ela não tinha forças pra miar, pra comer. Não tinha forçar pra subir a escada. A Bruxa não conseguia subir as escadas! Como eu ia me acostumar a ver a minha gatinha que pulava de prédio em prédio sem conseguir subir a droga de um degrau? Ela não conseguia nem deitar no meu peito porque as feridas do peito dela doíam quando ela tentava. Mas ela tentava.

Passou uns dois meses. Eu tava trabalhando na Vanguarda, mas odiava aquilo tudo. Certo dia eu cansei de fazer um trabalho que não me acrescentava em nada e ainda me deixava no sol a tarde toda e resolvi que na semana seguinte eu pediria demissão. Voltei feliz pra casa ouvindo “Here Comes the Sun”, do Harrison, pensando “tudo vai ficar bem a partir da semana que vem”. Cheguei em casa e tinha uma vela ali em cima do aparelho da NET, lugar preferido dela na casa. Minha irmã me deu a notícia e eu tranquei o choro. Subi pro meu quarto e fui jogar vídeo game. Levei 3x0. A minha mãe veio falar comigo e eu não dei nem bola. Não falei uma palavra, eu só queria jogar vídeo game, ficar sozinho e tentar não lembrar dos 18 anos que a Bruxa fez parte da minha vida. Quando foi todo mundo embora e eu finalmente fiquei alone em casa, chorei pra cacete. Chorei porque ali caiu a ficha. Chorei porque pela primeira vez em 18 anos – já falei que não lembro de como era antes – eu tava REALMENTE sozinho em casa.

E isso tudo foi escrito pra eu não ter que ficar explicando toda hora pra TODO MUNDO o porquê de eu não querer outro gato na minha casa. Não sei quanto tempo vai ser assim, mas ainda é. Tchau.

Tuesday, November 22, 2011

Bloco de Notas

olha, eu gosto tanto de você, mas tanto gosto de você, que resolvi escrever o quanto gosto de você no bloco de notas. é diferente escrever aqui porque, a medida que eu vou escrevendo aqui, as coisas vão sumindo ali do lado e quando esse texto terminar provavelmente eu já vou ter esquecido o que eu escrevi no início. que coisa estranha tudo numa linha única, como o bloco de notas deixa, imagina que chata seria a vida se ela fosse só uma linha e as coisas sumissem ali assim como acontece aqui no bloco de notas. eu gosto tanto de você, mas tanto gosto de você que periga eu lembrar da primeira vezinha que cê me curtiu no Facebook, eu lembro era de uma música que anunciava o fim do mundo, mas pra mim aquilo foi como sentir o gosto de uma coisa que eu nem imaginava que gosto teria.eu gosto tanto de você, mas tanto eu gosto de você que se você não me curtir mais no Facebook eu vou dizer que não fiquei triste porque a minha amiga disse que eu tenho que parecer fortão e não ligar pra essas coisas, mas eu quero te ligar agora e perguntar o porquê de você não me curtir mais.

Wednesday, November 02, 2011

Cuba Livre*

Esses dias eu li uma pesquisa onde era provado por A+B que ver uma mulher bonita é equivalente a usar algum tipo de droga. É um lance de a mesma área do cérebro ser estimulada e em mesma quantidade. Enquanto lia aquilo, eu pensava que ali estava a resposta do porquê de eu gostar tanto dessa moça. Não por aquele papo de eu ser viciado nela, não poder viver sem ela, essas coisas. Eu simplesmente me sinto extremamente feliz quando a vejo, faz muito bem pra essa tal área do meu cérebro quando ela passa com aquele ar de quem gosta de ir pra Cuba.

Desde que eu a vi em uma festa qualquer por essas bandas, procuro saber sempre onde ela está. Não por ser apaixonado por ela, querê-la para sempre, ter filhos, eu simplesmente gosto de estar no mesmo ambiente que ela, vê-la passar por onde estou e admirar a sua beleza descolada – sem forçar uma descolagem – por alguns segundos. Depois disso, eu vou embora e sigo a minha vida, sem que ela saiba quem eu sou. Ou pelo menos era assim.

Tem vezes em que o ser humano, talvez por instinto, faz umas coisas engraçadas. Mesmo sabendo que uma panela está – muito – quente, a gente toca. Se queima, óbvio, o universo não está nem aí para a nossa idiotice. Mas o que eu quero dizer é o seguinte: Tem vezes em que a gente sabe que algo vai dar errado, mas segue em frente, sei lá porque diabos. Foi exatamente o que eu fiz com essa moça. Eu estava parado no bar. Ela também. Eu estava bêbado. Ela eu não sei. Por uns dois minutos eu matutei se de fato deveria fazê-lo, mas o fiz, virei pro lado e falei com ela. Eu falei com ela, caro leitor! E por quê? Ela é até do meu tamanho, a gente nunca poderia ficar juntos. Mas falei, falou tá falado, então não tinha pra onde correr. Contei toda a história de eu admirá-la de longe e ela disse que até sabia quem eu era (!), mas que não me seguiu de volta no Twitter porque não me conhecia. Totalmente perdoada.

Após de fato conhecê-la, agora vivo um dilema parecido com aquele que antecede o vício em drogas. Não sei se experimento ou se permaneço com a minha vida inalterada. Até o momento, eu tive contato apenas com aquilo que é bom nessa moça, mas, infelizmente, quando o mundo foi criado e, após algum tempo, as relações humanas, não houve uma mutação que fizesse a gente saber a hora de parar. Algo que dissesse “não, Leon, agora tu foste longe demais. Volta”. Se essa mutação tivesse ocorrido, eu viveria feliz com as coisas boas que sei sobre essa garota e usuários de drogas não se viciariam nestas. Ainda há tempo para correções.

Agora eu estou aqui, escrevendo essa palavra e mudando os meus objetivos para com essa moça que vem só nos fins de semana para Pelotas. Eu vou achá-la linda três dias por semana e no restante ficar esperando ela voltar para dar descanso ao coração. Por que o que sinto por essa moça é como a cor do cabelo dela: Não é algo definido, mas é bonito. Não é isso que importa?


* Esse texto faz parte do Livro Ainda sem Nome. Não esperem mais spoilers das coisas inéditas presentes nele.

Monday, October 31, 2011

Oxigênio

é um troço subjetivo. a necessidade que as pessoas têm pra viver varia de uma para outra. tem gente que ostenta: trabalho é o meu oxigênio. poeta pega e diz: tristeza é o que eu preciso. românticos consideram o sorriso, o corpo, enfim, a beleza da pessoa amada. com medo algum de parecer simplório, eu digo que o oxigênio é o meu oxigênio. não há nada que me faça sentir mais vivo do que respirar fundo ao pensar em alguém, ou não conseguir puxar o ar por estar cansado no meio de um jogo de futebol no domingo. é nesse momento que a alma conversa com o corpo. deve ser por isso que não há vida no espaço.

Saturday, October 22, 2011

Copa

Ana, eu te amo mais do que eu amava Nesquik quando eu tinha 19 anos. Eu te amo mais do que o momento em que a água gelada da praia de Copacabana toca de surpresa nos meus pés enquanto ando.

Amar-te, Ana, é como viver pra sempre esperando tu passares por mim na rua para sentir o teu perfume.

Thursday, September 08, 2011

100




Um texto sobre o centenário do Brasil de Pelotas tem de ser simples, assim como a sua gente. Porém, um texto sobre o centenário do Brasil de Pelotas tem de ser grandioso, assim como a sua gente.
A primeira lembrança que tenho do Xavante é a de meu pai, revoltado com um resultado negativo, passando com o carro por cima da camisa do clube. A segunda, dele arrependido por não ter uma a sua camisa predileta para comemorar uma vitória. Essa é a diferença do torcedor deste time: Ao contrário dos demais, que sustentam em seus pavilhões o fato de apoiarem os seus clubes incondicionalmente, a gente se irrita, sim. A gente desacredita. Mas volta. Um texto sobre centenário do Brasil de Pelotas, além de simples e grandioso, tem de ser confuso, não pode ter ordem. Porque somos filhos da várzea, não temos uma torcida toda organizada. O torcedor do Xavante não carece de papéis picados, guarda-chuvas, barras, nada dessas coisas. Ele faz de si mesmo a sua festa, cada um cantando e apoiando como quer. Há uma linha tênue entre ser simples e ser simplório. O torcedor do Brasil de Pelotas usa chinelos e os descalça.
E eu vou terminando por aqui, vou lá ajudar a fazer o dia mais perfeito para o meu Xavante. Porque o Brasil de Pelotas é o Oswald de Andrade do futebol. Desorganizado, arteiro, independente. Mas com uma pitada de perfeccionismo.

Tuesday, August 02, 2011

O Livro Ainda Sem Nome

http://olivroaindasemnome.blogspot.com/

Saturday, April 30, 2011

"Quando colegial, como eu gostava do cheiro úmido das raízes dos vegetais! Porém, ao lado desse mundo natural, queriam fazer-me acreditar no mundo seco das raízes quadradas, que para mim tinham algo de incompreensíveis signos de linguagem marciana. Mas a tortura máxima eram as raízes cúbicas. Felizmente agora os robôs tomaram conta disso e de outras coisas parecidas com eles... Felizmente não mais existe o meu velho professor de matemática. Senão ele morreria aos poucos de raiva e frustração por se ver sobrepujado, por me ver continuando a fazer coisas aparentemente insólitas porque não constam de currículos e compêndios, porque agora, meu caro professor, agora o marciano sou eu mesmo.".

Quintana

Friday, April 08, 2011

Manifesto em prol dos docinhos

“És o momento amarelo em que o outono sobe pelas trepadeiras e és ainda o pão que a lua fragrante elabora passeando sua farinha pelo céu”. Foi o Neruda quem escreveu isto. Lindo, né? Pois bem, é por essa causa que eu estou aqui hoje. Talvez não tão recente quanto a palavra “ultimamente” se tornaria exata, escrever sobre amor tem se tornado sinônimo de uma escrita clichê ou até – vejam só, criaram até expressão para tanto – piegas.
Nego escreve uma poesia, uma crônica ou uma historinha expressando seus sentimentos e lá vêm os chatos tascarem um carimbo “texto de corno” ou “texto de quem não come ninguém”. Voltando ao Neruda, ele escreveu um livro chamado Cem Sonetos de Amor, no qual os versos citados acima – e mais uma centena de outras pérolas que devem ser lidas - estão presentes. Neruda pegava todo mundo. Talvez mais do que o Paulo Coelho. Com certeza bem mais do que o Augusto Cury.
Escrever sobre amor não quer dizer nem que alguém faça pouco sucesso com as mulheres, nem que faça mais, simplesmente quer dizer que o cara gosta de falar o que acha irresistível em uma mulher. Não há nenhum crime nisso, é bem aquele lance de “eu podia estar matando, roubando, mas to aqui escrevendo umas coisas pra ver se deixo alguém feliz”.
Não é meu objetivo nesse texto fazer com que todos comecem a escrever sobre amor e nem que aqueles porventura escritores de outros gêneros passem para o meu lado da força. Longe disso, cada macaco no seu galho, escrever tem que dar prazer e este só vem quando a gente escreve sobre algo que se sente em casa para falar. O fato é que eu me sinto em casa para falar de amor, fazer o quê? Eu gosto de escrever para alguém e ficar imaginando esse alguém sorrindo branco lendo alguma coisa que o meu coração sorriu pensando nela. É como se fosse uma transmissão de pensamentos, trocando os pensamentos pelos sorrisos.
Para vocês, que julgam aqueles que, como eu, gostam de falar dos seus sentimentos em forma de letras, meu conselho é que sejam mais leves. A leveza é uma forma raríssima e extremamente preciosa de inteligência, dêem uma chance para ela. Àqueles que se sentiram homenageados ou defendidos nesse texto, peço-lhes que continuem. O mundo é mais bonito conosco.
Escrever sobre amor é como entrar na mente da pessoa amada e colocar uma balinha de goma lá dentro. Todo mundo ama balinha de goma.

Thursday, March 24, 2011

Da existência

Esse texto serve também para os torcedores do E.C. Pelotas.

Lembrei-me hoje de um professor do ensino médio. O cara simplesmente não conseguia aceitar o fato de que, em pleno mundo globalizado do século XXI, boa parte da população pelotense fosse torcedora do Brasil de Pelotas. Segundo ele, não havia sentido torcer por um time que, ano após ano, década após década, continuava na mesma situação: Lutava para não cair da série A do Campeonato Gaúcho e, quando enfim caía, começava então a digladiar para voltar à condição anterior, assim, formando um ciclo sem fim.

Na hora não me ocorreu, pois eu estava realmente impressionado com o besteirol que havia sido cuspido, mas agora, revendo a situação, me lembrei de que o tal professor era fumante – e daqueles ferrenhos. Assim como todas as outras pessoas portadoras desse vício, o tal sabia de todos os males que o cigarro poderia trazer à sua saúde. Sabia das chances maiores de um câncer e sabia até que suas mãos fediam. Mas, assim como todas as outras pessoas portadoras desse vício, ele continuava fumando. E por quê? Simples. Mesmo motivo pelo qual eu sou apaixonado pelo Brasil de Pelotas. O cigarro, independente de todos os defeitos, trazia algo de bom, de prazeroso para ele.

O mundo não é perfeito e as pessoas também não são. Se fossem, o Barcelona seria o time com a maior torcida do planeta, ganhando com folga do Flamengo. O clube espanhol ganha todos os títulos, tem os melhores jogadores e passa longe de segundas divisões dos campeonatos que disputa. Porém, para a alegria das agremiações menores e para a graça maior do mundo em que vivemos, a paixão de um torcedor pelo seu clube não está nos feitos e nos canecos conquistados por este. Está no seu vício. E o vício é o primo da paixão que, assim como seu querido parente, não tem e não precisa de explicações maiores para a sua existência. Simplesmente existe. Assim como todos nós.

A propósito, o meu professor torcia para o Palmeiras.

Sunday, February 13, 2011

Ô, companheira

Os teus olhos falam. Gritam. Chamam-me. “Vem, Carlos, vem beijar-nos para fecharmos felizes e descansados”, dizem. E, como se expressassem palavras mágicas, me hipnotizam e é um crime inafiançável quando deixas teu cabelo negro por cima de um deles, querendo que as outras mulheres do mundo tenham alguma chance. Mas elas não têm. A graça toda é tua e ela, assim como eu, não é de mais ninguém. Sendo só teu, não tenho escolha quando me olhas irresistivelmente como um cachorro labrador pidão, que dá a pata e coloca a cabeça entre nossos braços pedindo carinho. Vendo teus olhos assim, nada mais posso fazer do que massagear teu cabelo, ver teus lábios sorrirem docemente até o momento em que deitas em meu colo e, mesmo após teus olhos fechados, sigo te fazendo carinho, porque já não é para te fazer feliz que o faço. É por mim. Enquanto uns alcançam o paraíso com morfina, eu, mero mortal, ando em nuvens quando passo levemente minha mão em tua face lisa. Tão benevolente és que a ONU em breve chegará a tua casa e pedirá para doares teu olhar a fim de ser utilizado como apaziguador de conflitos éticos. Sempre que Israel resolver atacar a Palestina, chamar-te-ão para, com esse olhar irresistível de cão labrador querendo carinho, pedires que parem com essa bobagem de briga. É o amor, é o amor.


P.S.: Texto mais doce que doce de batata doce

Sunday, December 12, 2010

Da loirinha que não gosta de mim

Olha só, menina que não gosta de mim, tu estás fazendo tudo errado. E sabes por quê? Esse ar de “não gosto de muitas pessoas” é só um escudo fracote e que eu vou ter o maior orgulho de furar com a minha espada medieval banhada em simpatia. Eu sei que a tua luta é grande, mas essa tua pele branca e os olhos puxadinhos não te deixam fingir. Podes até abdicar dos óculos às vezes, mas uma vez míope charmosa, pra sempre míope charmosa. Esse teu cabelo loirinho até te dá um ar de patricinha chata, mas eu acho que tu és uma florzinha e eu quero te dar apelidos como se eu fosse o Vinicius e tu a minha dona do Nounouse, que é pra falares pra ele os motivos por não gostar de mim, aí depois ele me contar tudo pra eu melhorar e te impressionar. E essa história não é aquele clichê de frase de MSN “tudo o que eu quero, eu consigo”. Não, eu até mesmo não consigo muita coisa, mas tu és tão chatinha que eu tenho que fazer-te esse favor de juntar teus pés aos meus.

Quanto mais te esquivares de mim, mais perto eu vou querer ficar. E eu sou chato pra cacete.

Sunday, December 05, 2010

Insensato conselho

Baseado na obra de Almir Guineto


Óh, insensato destino, pra que tanta desilusão no meu viver? Eu quero apenas ser feliz ao menos uma vez e conseguir o acalanto da paixão. Fui desprezado e magoado por alguém que abordou meu coração. Fui desprezado e magoado por alguém que abordou meu coração! Destino, porque fazes assim? Tenha pena de mim. Veja bem; não mereço sofrer. Quero apenas um dia poder viver num mar de felicidade.

Com alguém que me ame de verdade.

Deixe de lado esse baixo astral! Erga a cabeça, enfrente o mal que agindo assim será vital para o seu coração. É que em cada experiência se aprende uma lição. Eu já sofri por amar assim: Me dediquei, mas foi tudo em vão. Pra que se lamentar? Se em sua vida pode encontrar quem te ame com toda força e ardor. Assim, sucumbirá a dor. Tem que lutar, não se abater. Só se entregar a quem te merecer. Não estou dando nem vendendo. É como o ditado diz: O meu conselho é pra te ver feliz.

Thursday, November 25, 2010

Something

Olha, eu não quero parecer um exibido, mas, se de fato há muita beleza na tristeza de um apaixonado, eu contribuí um bocado para um mundo com mais passarinhos verdes cantando nesses últimos meses. Sofri, rasguei, corri atrás e, se alguém, depois disso tudo, ousar me chamar de fraco, certamente passou por essa vida e não viveu. Pode até ser mais, mas sabe menos do que eu.

Fui achando que o amor era uma ciência exata e todos esses clichês que vocês vão pensar agora e eu não vou escrever aqui somente pra fazer volume. Eu sabia que estava errado. Mas continuava. Porque, leitores, assim como ela provavelmente não soube como parou de pensar em mim, eu também não sabia como parar de pensar nela. Me atirei assim de trampolim e fui até o fim, um amador. Em todos os sentidos. E agora espero por um novo tempo, de ter uma pedra no meu peito, exigir respeito e não ser mais um sonhador. Talvez, daqui um tempo, eu mude de calçada pra agarrar uma flor. Por enquanto, só quero me embriagar pelas calçadas mesmo sem ter quem venha logo me curar quando chegar de porre da boemia. E, se já não sinto os teus sinais, a vida vai ter de se acostumar com a tua ausência. Porque o meu lutador de Street Fighter ficou com só dois de vida e eu preciso dormir no meu colchão duro.

Fiz uma fotografia dela e guardei no meu pobre coração, que é pra ele bater forte e me deixar vivendo mais. E agora eu vou partir. Para onde? I don’t know, I don’t know, You stick around now it may show.

Wednesday, November 17, 2010

A Menininha

Vou contar uma história: Eu sou muito doce e esperto. Eu amo quando a minha menina sorri depois que eu tiro o tempo dela. Ela fica parecendo uma criancinha, o sol abre em meio à chuva e eu, sem mais opções, tiro o tempo dela mais uma vez que é pra tudo começar de novo. E no fim, eu sorrio também porque os nossos sorrisos são amiguinhos de infância. O que mais? Sim, ela é um amor, uma flor e eu tenho que disfarçar pra não correr e abraçar ela pra sempre. Pra sempre. E, na verdade, eu nem a amo de verdade. Na verdade de verdade, são outros olhos que o meu coração não pode nem ver que dispara. Mas essa menina é bem espertinha também. Sabe que eu gosto quando ela fecha os olhinhos e balança o rosto como rindo ironicamente de uma brincadeira minha. Ela sabe disso. Sabe e faz porque eu gosto. E ela quer me roubar. E a gente não deve resistir a assalto.

Friday, October 15, 2010

Sim

A gente estava de mãos dadas. Sem beijo, nem abraço, eu só peguei a mão pequena e macia dela e fui correspondido. Não olhei para dar uma disfarçada, mas vi que ela me olhou sorrindo com aqueles olhos coloridos. Até os nossos passos sincronizaram-se, porque o mundo era todo nosso e existia apenas pra gente ser feliz. A gente sentou no planeta – mais precisamente na grama verdinha – e fizemos nosso piquenique em cima da toalha (aquela mesma que você, leitor, está imaginando). Sem beijo. A gente ainda era só “amizade coloridinha”, uma coisa bem infantil mesmo, mas a gente sempre foi meio criança. Eu sempre fui meio Miguelito e ela... bem, ela era bem cabeça, mas não era morena o suficiente pra ser Mafalda. A verdade é que a gente era os nossos próprios personagens. Eu comecei a tocar violão porque ela gosta de homens com sobrancelha grande e que tenham uma veia musical. Ela nunca fez nada exatamente por mim, mas, pro piquenique, comprou o doce que eu disse no Twitter que sou fã e tenho certeza que foi pra me agradar. Só quando notei isso é que cheguei perto de seu rosto para beijá-la. Fechei os olhos mais com medo de perdê-la para sempre naquele momento do que por estar emocionado ou por curtir o momento. Mas ela botou a mão – pequenina – no meu rosto e me correspondeu. Aí eu fechei os olhos de vez. O nosso dia foi pintado com lápis de cor aquarela.

Sunday, September 26, 2010

A Ana (Parte 1 de algumas)

I

Ana acordou. Levantou e não calçou nada. Acariciou os cachos do cabelo, mostrou os olhos verdes pro mundo e sorriu. Não, Ana sorriu feliz. Pensou consigo mesma: “Com o perdão do clichê, a maior caixa de surpresas que existe é uma manhã antes da gente abrir a janela”.

II

Ana tomou achocolatado e arregalou os olhos. Deu bom dia pra sua gata, suspirou e levantou-se. “‘Ou se’ é a expressão mais libertadora do mundo”, pensou. Depois de fazer o que queria, foi para o trabalho.

Talvez Ana fosse feliz. Preferiu ser. Olhou para o céu azul que valentemente aparecia na janela do escritório, saiu e bateu ponto na vida. Ponto para Ana, aquela moça bonita do cabelo enrolado meio ruivo meio rubio e dos olhos com cor de embalagem de Guaraná Antártica. Andou e, com o sol abraçando-lhe, não sentiu o clichezão “andando nas nuvens" por estar feliz com alguma coisa. Ana é muito importante para ser "alguma coisa". Ana é especial, Ana anda em travesseiros fofos, porque essa história de nuvem não existe. Andou pelas ruas da cidade grande esbanjando morangos e se sentiu como uma daquelas mulheres de propaganda de absorvente. Neste minuto, Ana atingiu o grau máximo de preocupação nenhuma.

III

Recordação

Ana conhece Valentin, mas na verdade queria mesmo era conhecê-lo. Ele é aquele rapaz que todo mundo já viu por aí. Faz-se de misterioso porque não tem nada de mais interessante para apresentar, então não apresenta nada e recebe essa fama. A Ana sabe disso. Mas, ela também é assim e, ao mesmo tempo em que isto lhes junta, os distancia. Porque um fica tentando adivinhar o que o outro está pensando e, pessimistas que são, ficam cheios de paranóias com sabor de marshmallow. Eles já se encontraram em diversos sonhos de flauta, mas pausaram a música porque era boa demais. E aí ficam quietos.

Mas a Ana não quer pensar nisso. O dia está muito primavera, ela só quer andar em travesseiros fofos e esbanjar morangos por aí. A Ana só quer ser abraçada pelo sol quentinho. E ela se entrega a ele. Abre os braços, sorri e diz “vem cá, meu nego”. E o pensamento e o coração da Ana apostam corrida pra saber quem está mais tranqüilo e mais bala-de-goma. A atmosfera é totalmente “I see trees of green, red roses too I see them bloom for me and you and I think to myself, what a wonderful world”. A Ana está exatamente onde queria estar.

Tuesday, September 07, 2010

Rima

Bala de goma, diploma, pantufa e irmão. Escorregador, lápis de cor, pipa e macarrão. Olho bonito, bolo de milho, pantufa e mão. Tudo isso havia antes de mim e não sei o por quê, não. Só sei por que vieste depois de mim. Foi pra completar meu coração.

Friday, August 20, 2010

A Menina do Espelho

Minha filha agarrou meu dedo. Um gesto tão pequeno, mas capaz de estremecer todo meu corpo de uma maneira que mulher alguma conseguiu. Tem oito meses e já sabe como conquistar o coração duro do pai. Com um sorriso quase tão involuntário quanto o amor que sinto por aquela coisinha, olhei para minha esposa que, em perfeita sintonia, já sabia o quão grandioso fora para mim tal momento. Ao olhá-la e tê-la junto de mim nesta epifania sem precedentes em toda minha existência, senti o mesmo que passou pelo meu coração ao ver seus olhos coloridos pela primeira vez: “Só essa menina pode me dar o melhor presente que posso receber”. Porque não é Deus quem nos dá essa alegria. A felicidade é a gente quem faz e não é possível viver sozinho exatamente por isso: A gente precisa de alguém pra nos presentear. Beijei a testa de minha esposa. Mordi a bochecha de minha filha. Fiz-me cócegas todo por dentro.

Wednesday, July 07, 2010

Fui

Congelei meu coração e dessa vez vai precisar ainda mais calor pra levá-lo para passear. Deixei todo esse lado bala de goma pra trás e vou me manter assim, extremamente gelado. Que não venha Vinicius de Moraes me dizer “Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão”, quem tem que pedir desculpas sou eu, que acelerei meus batimentos cardíacos sem nem me importar com o meu miocárdio. O Vinicius morava no Rio de Janeiro e ia para a praia todos os dias.